Publicado em 14 de outubro de 2026
Quando falamos em investimento social, quase sempre pensamos no recurso que chega ao território. Mas existe uma pergunta anterior: o que acontece depois que o dinheiro chega?

Ticiana Rolim
Fundadora e presidente da Somos Um
14 de outubro de 2026

Uma organização pode conhecer bem sua comunidade, ter uma solução forte e transformar vidas. Mas, se as lideranças precisam dividir o tempo entre atender as pessoas, buscar recursos, cuidar da equipe, prestar contas e manter tudo funcionando, o impacto que conseguem gerar acaba tendo um limite.
Não é falta de compromisso ou capacidade. Muitas vezes, é falta de estrutura.
Um levantamento do Instituto Ekloos mostra que a captação de recursos é o principal desafio para mais de 74% das organizações, enquanto quase 60% não têm nenhuma fonte contínua de financiamento. Esses dados deveriam nos fazer repensar a forma como investimos socialmente.
Dar dinheiro é importante. Dar condições para que esse dinheiro gere transformação por mais tempo é ainda mais.
Por isso, acredito que o investimento social precisa ir além do aporte financeiro. É fundamental que os recursos venham acompanhados de formação, mentorias e apoio ao desenvolvimento de capacidades em gestão, planejamento, governança, sustentabilidade financeira, monitoramento e captação de recursos.
Muitas iniciativas comunitárias ficam fora dos grandes investimentos não por falta de impacto, mas por não terem a estrutura exigida pelos financiadores. Governança e transparência são indispensáveis, mas também cabe ao capital contribuir para a construção dessas capacidades.
O investimento social precisa olhar não apenas para quanto dinheiro foi investido, mas para o que esse recurso foi capaz de construir: organizações mais fortes, lideranças preparadas e soluções que possam continuar existindo.
Isso também é investir no futuro.