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Publicado em 23 de outubro de 2026

ZR0 transforma resíduos plásticos em móveis de design e promove inclusão produtiva de mulheres

Presente no Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Maranhão, iniciativa une economia circular, tecnologia e geração de renda para transformar resíduos em produtos de valor agregado.

Rafael David

Escrito por Rafael David – rafael@somosumce.com.br
Publicitário especialista em comunicação consciente 


23 de outubro de 2026

Mulheres artesãs da Oficina Zr0 em Fortaleza (CE).

Transformar resíduos plásticos em móveis de design e gerar oportunidades de renda é a proposta da ZR0, negócio de impacto que une inovação socioambiental, tecnologia e valorização dos saberes locais. Presente no Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Maranhão, a iniciativa beneficia 50 mulheres, conectando reaproveitamento de materiais, inclusão produtiva e empreendedorismo.

“A nossa missão é realmente ver um mundo onde há lixo zero. Daí veio a origem da ideia da circularidade, de como é que a gente usa e enxerga o plástico como insumo e não como lixo. A partir do momento que ele é insumo, ele tem múltiplos usos”, afirma Daniel Silveira, presidente do Grupo Caneta, detentor da ZR0.

Da ciência à transformação social

A ZR0 nasceu a partir de uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da experiência do The Human Project (THP), organização que estrutura tecnologias sociais. O processo transforma plásticos com pouco ou nenhum valor comercial em matéria-prima para a fabricação de móveis e objetos, desde carteiras escolares até peças de decoração de alto padrão.

“A nossa tese de transformação acredita que, com tecnologia, ciência e arte, a gente é capaz de construir capital humano. E capital humano transforma”, explica Daniel, destacando a importância de transformar soluções socioambientais em negócios sustentáveis.

“Esse ciclo não se completa se a gente não é capaz de transformar essas iniciativas em negócios que geram, de fato, produtos e serviços que tenham valor para o mundo, que tenham valor para nós como consumidores”, acrescenta.

Mulheres no centro da economia circular

A inclusão produtiva é um dos pilares da iniciativa. Ao incorporar mulheres à cadeia de transformação dos resíduos, o projeto amplia oportunidades de capacitação, geração de renda e empreendedorismo, reconhecendo essas profissionais como protagonistas da produção.

Para Andréia Cardoso, diretora executiva da Somos Um, organização parceira da ZR0 no Ceará, a iniciativa também evidencia a contribuição da ciência para enfrentar problemas sociais e ambientais.

“Paralelamente ao problema dos plásticos, havia também um problema para essas mulheres que precisam trabalhar e não conseguem trabalho digno. Então, elas conseguem agora ter a dignidade de dizer que são empreendedoras”, destaca Andréia.

Educação ambiental e design com propósito

A ZR0 também produz carteiras escolares com plásticos reaproveitados, aproximando crianças e jovens da economia circular. A proposta é mostrar que materiais descartados podem ganhar novas funções e estimular escolhas de consumo mais conscientes.

“Imagina que as crianças pegam o plástico que elas mesmas consomem, dos iogurtes e das bebidas, levam esse material para uma das oficinas e transformam aquilo na carteira que depois vão usar na escola. Imagina a conexão e o significado que aquela carteira tem”, observa Daniel.

Em 2026, a iniciativa participa da CASACOR Ceará com a praça ZRO – O Futuro Reverso. A coleção PROTAGONISTAS, desenvolvida com Érico Gondim, apresenta móveis produzidos a partir de resíduos plásticos e valoriza a contribuição das mulheres, conectando ciência, tecnologia, arte e saberes locais.

Consumo consciente e geração de valor

Além do reaproveitamento de resíduos, a ZR0 propõe uma reflexão sobre a origem dos produtos e os impactos de sua fabricação. O modelo busca conciliar retorno financeiro e transformação socioambiental, mantendo a cadeia produtiva ativa.

“Para mim, os negócios de impacto são negócios que geram renda e lucro, porque isso é necessário para manter a cadeia circulando, mas que também usam e aproveitam os desafios e os talentos que estão colocados ali para construir inovação. É isso que a gente faz na ZR0”, afirma Daniel.

A iniciativa também busca valorizar o trabalho de catadores. Segundo o executivo, a ZR0 paga pelo quilo de plástico recebido o mesmo valor praticado para o alumínio, criando condições para ampliar a coleta de materiais que normalmente têm pouco mercado.

Serviço

A coleção da ZR0 pode ser conhecida no site zrodesign.com.br, onde estão disponíveis informações sobre os produtos e seus valores.

Rafael