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Rafael

Publicado em 25 de maio de 2026

O que faz um negócio de impacto captar investimentos?

Clareza no propósito, organização financeira e flexibilidade são fundamentais para qualquer empreendedor que deseja potencializar e transformar seu território por meio de negócios de impacto, de acordo com Andréia Cardoso, diretora executiva da Somos Um. 

Por Lucas Farias, jornalista na Casa Salô, para Somos Um.
Jornalista apaixonado por ouvir histórias e ampliar o alcance delas. Vejo a comunicação como uma ferramenta de conexão entre pessoas e ideias. 


26 de fevereiro de 2026

Durante o Fórum Impacta Mais 2026  — evento que aconteceu em São Paulo nos dias 20 e 21 de maio e  reuniu mais de 3.000 players do setor financeiro com foco em negócios de impacto — o painel “Pitch Invertido” trouxe uma proposta fora do padrão: inverter a lógica tradicional dos pitches e colocar investidores no papel de quem apresenta suas teses, critérios e expectativas para os negócios.

No bate-papo mediado pelo diretor executivo da Companhia de Impacto, Henrique Bussacos, e com participação de Bruna Constantino, co-fundadora da Positive Ventures, Andréia Cardoso trouxe uma visão muito conectada à realidade de empreendedores do Norte e Nordeste brasileiro, que muitas vezes encontram dificuldade para acessar capital, mesmo já gerando transformação em seus territórios. 

A “zona da morte” do empreendedorismo de impacto

Hoje um dos principais desafios enfrentados por negócios de impacto no Brasil está no acesso ao capital nos primeiros anos de operação. Muitos empreendimentos já possuem atuação consolidada em seus territórios, geram renda, impacto social e movimentam suas comunidades, mas ainda não atingiram o nível de faturamento exigido por investidores mais tradicionais.

Andréia define esse cenário como “zona da morte”: uma fase em que o negócio já precisa crescer, estruturar equipe, fortalecer operação e ampliar mercado, mas ainda encontra dificuldade para acessar investimento adequado à sua realidade.

Para responder a essa lacuna, Ticiana Rolim,  fundadora da Somos Um, junto de parceiros criaram o Programa Zunne, com o objetivo de direcionar o capital concentrado no Sudeste para iniciativas do Norte e Nordeste que desenvolvem soluções conectadas às necessidades de seus territórios. O programa opera por meio do modelo de blended finance, combinando investimento privado, filantropia e recursos públicos.

Entender os territórios como potências vivas

O Zunne atua de forma próxima para os empreendimentos de impacto social, fortalecendo a gestão e construindo networking com agentes do mercado.

Um dos focos mais importantes do programa está no compromisso com empreendedoras mulheres, negras e indígenas através da Trilha Flora, linha de investimento filantrópico voltada a negócios com faturamento de até R$600 mil, realizada em parceria com a Amazon People:

“Quando falamos de território, nem sempre o negócio adquire grande escala. Isso acontece especialmente com negócios indígenas e quilombolas, mas não significa que eles gerem menos impacto.”

Desde sua criação, o Programa Zunne já soma:

  • 4 rodadas de investimentos;
  • 38 negócios investidos;
  • cerca de R$ 10 milhões movimentados;
  • mais de 300 investidores conectados à plataforma Movva.

Mais do que buscar negócios com potencial de crescimento exponencial, a prioridade está em iniciativas comprometidas com transformação territorial e impacto de longo prazo.

O que investidores de impacto analisam em um negócio?

Apesar de cada fundo ou programa possuir critérios próprios, Andréia enfatizou alguns fatores que continuam sendo fundamentais para negócios que desejam acessar investimento:

Clareza sobre o impacto gerado: O empreendedor precisa conseguir explicar de forma objetiva qual problema resolve e como seu negócio transforma a realidade ao redor. É importante demonstrar consistência, intencionalidade e entendimento do impacto gerado.

Organização financeira: Mesmo em estágios iniciais, os negócios precisam possuir minimamente um controle financeiro; contabilidade organizada; previsibilidade operacional e entendimento sobre sustentabilidade econômica.

Flexibilidade e capacidade de adaptação: Negócios de impacto operam em contextos complexos em um mercado de constante volatilidade. Por isso, capacidade de escuta, adaptação e aprendizado contínuo fazem diferença no amadurecimento do negócio.

Impacto social e sustentabilidade precisam caminhar juntos

O fortalecimento dos negócios de impacto só acontece quando o conceito de risco é redefinido, reconhecendo as diferentes formas de crescimento e ampliando os acessos financeiros de forma sustentável. 

Nem todo negócio precisa atingir escala nacional para gerar transformação relevante. Em muitos casos, o impacto acontece justamente na capacidade de fortalecer comunidades, movimentar economias locais e criar soluções conectadas às realidades dos territórios.

Para empreendedores que desejam acessar investimento, o caminho passa cada vez mais por unir propósito, gestão e sustentabilidade financeira.

Rafael